segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Testemunho Vocacional

Cherlison Carneiro é seminarista da Diocese de Santarém
cursou Filosofia e Ciências da Religião e agora participa do
Ano Missionário na Diocese de Santíssima Conceição do
Araguaia.

Seminarista Cherlison Carneiro

Certa vez eu estava jogando bola e um jovem chega comigo e me pergunta. Que tal você fazer uma experiência no seminário? E eu respondi: Que seminário? Não sei, não entendo e nem sei onde fica isso. E o jovem insistiu comigo: Lá você estuda e tem uma boa formação para ser padre na vida. Eu disse: Bom, agora me complicou. Ser padre? Está ficando doido é? É melhor você ir embora porque não quero mais saber disso e isto não me interessa. É melhor você deixar eu jogar minha bola e curtir outras coisas. Nisto todos os meus amigos ficaram me olhando para saber qual seria minha resposta e chamavam: Deixa pra lá, vem conosco jogar bola.
Vim do futebol e no caminho uma professora me chamou para conversar e ela disse: poxa, você é um jovem lindo, inteligente, tem ótimas notas e todos aqui gostam de você.  Você também é capaz e tem todas as condições de ser uma grande pessoa, ser um jovem que pode fazer as pessoas felizes. Vai, eu confio em você. Quem sabe não é Deus que chama você para essa caminhada. Agradeci a professora e chegando em casa falei pra mamãe que o jovem tinha dito para mim. Ela ficou me olhando e disse: Pensa bem meu filho, tu não conheces e não sabe o que é isso. Não sei, mas pensa e veja o que é importante pra você, quero apenas que tu sejas muito feliz.
Mas eu pensava noite e dia. E sentava debaixo daquela árvore meditando nas palavras do jovem e dizia para mim mesmo: Porque eu? Porque eu? Poxa! deixar minha mãe, meus irmãos, meus amigos! Deixar o meu tradicional café, com tapioquinha, pé-de-moleque, macaxeira! Deixar a roça onde a gente plantava mandioca! Deixar o Rio Tapajós onde eu tomava banho. Deixar de ouvir histórias, lendas dos meus avôs. Deixar de comer aquele peixe assado na brasa. Deixar de jogar bola todos os finais de tarde não é nada fácil... Não sei o que acontecerá lá se eu for.
No outro dia encontrei o jovem e disse que gostaria de fazer sim essa experiência.
Fiz vários encontros vocacionais até entrar para o seminário.
Sinto-me bem nessa missão e sei o quanto sou agradecido por essa grande Graça de Deus na minha vida. Ele é especial, é bondoso, é amável.
 Sempre recordo o testemunho de Paulo quando diz: “Mas de forma alguma considero minha vida preciosa a mim mesmo, contanto que leve a bom termo a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus; dar testemunho do Evangelho da graça de Deus” (At 20, 24).

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